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BUROCRACIA

07 Fev

Uma empresa governamental nunca pode ser estruturada em termos comerciais, não importa quantas características aparentes de empresa privada sejam projetadas sobre elas.

A Critique of Interventionism, p. 159

 

A gestão burocrática é uma conduta fadada a cumprir regras e regulamentos detalhados, fixados por uma autoridade superior. É a única alternativa à gestão orientada pela motivação de lucro… Sempre que a gestão de um sistema não seja orientada pela motivação do lucro, terá que ser dirigida por regras burocráticas.

Human Action, p. 307; p. 310

 

GRANDES EMPRESAS

07 Fev

O tamanho e o “poder” econômico das companhias de estrada de ferro não impediram o surgimento do automóvel e do avião.

Human Action, p. 276; p. 275

 

As grandes empresas servem sempre — direta ou indiretamente — às massas.

The Anti-Capitalistic Mentality,
, p. 2

 

A característica dos grandes negócios é a produção em massa a fim de satisfazer as necessidades das massas. No regime capitalista, os próprios operários são, direta ou indiretamente, os principais consumidores de tudo o que as fábricas estão produzindo.

The Anti-Capitalistic Mentality, p. 42

 

ATIVIDADE BANCÁRIA

07 Fev

Não havia nenhuma razão para abandonar o princípio da livre iniciativa na atividade bancária.

Human Action
, p. 440; p. 443

 

Para os nossos contemporâneos, é extremamente difícil conceber o funcionamento da livre atividade bancária, porque consideram a necessidade de intervenção do governo na atividade bancária como evidente em si mesma.

Human Action
, p. 444; p. 447

 

Para impedir qualquer nova expansão do crédito, basta submeter a atividade bancária às regras gerais das leis civis e comerciais que compelem todos os indivíduos e firmas a cumprirem suas obrigações nos estritos termos em que foram pactuadas.

Human Action, p. 440; p. 443

 

 

ARTES

07 Fev

É uma distorção dos fatos acusar o período liberal de um suposto materialismo. O século XIX não foi somente um século de progresso sem precedente quanto a técnicas de produção e a conforto material das massas. Fez muito mais do que aumentar a duração média da vida humana: suas realizações artísticas e científicas são imperecíveis. Foi uma era que assistiu ao surgimento de músicos, escritores, poetas, pintores e escultores que são imortais; revolucionou a filosofia, a economia, a matemática, a física, a química e a biologia. E, pela primeira vez na história, tornou as grandes obras e os grandes pensamentos acessíveis ao homem comum.

Human Action, p. 155

 

No capitalismo, o sucesso material depende da apreciação das realizações da pessoa por parte do consumidor, que é soberano. Quanto a isto não existe diferença entre os serviços prestados por um fabricante e os prestados por um produtor, ator ou dramaturgo.

The Anti-Capitalistic Mentality, p. 31

 

Jamais houve uma época em que a maioria estivesse preparada para fazer justiça à arte contemporânea. O fato de reconhecer os grandes autores e artistas sempre foi limitado a pequenos grupos.

The Anti-Capitalistic Mentality, p. 79

 

O que caracteriza o capitalismo não é o mau gosto das multidões, mas o fato de que essas mesmas multidões, tornadas prósperas pelo capitalismo, passaram a ser “consumidoras” de literatura — obviamente da literatura sem qualidade. O mercado do livro está invadido pela literatura banal destinada aos semibárbaros. Mas isso não impede que grandes autores criem obras imortais.

The Anti-Capitalistic Mentality, p. 79

 

ARQUITETURA

07 Fev

Nos últimos cem anos, muitas igrejas e até mesmo catedrais foram construídas bem como palácios do governo, escolas e bibliotecas. Mas não apresentam qualquer concepção original; refletem velhos estilos ou mistura de vários estilos antigos. Apenas nos prédios de apartamentos, nos edifícios comerciais e nas casas particulares notou-se uma evolução que poderá ser considerada como um estilo arquitetônico de nossa era. Embora pareça pedante deixar de admirar o esplendor peculiar de espetáculos como a silhueta da cidade de Nova York, pode-se admitir que a arquitetura moderna não atingiu o destaque da dos últimos séculos.

The Anti-Capitalistic Mentality, p. 78

 

PUBLICIDADE

07 Fev

Uma falácia largamente difundida assevera que uma publicidade bem feita pode convencer os consumidores a comprar tudo o que o anunciante quiser que eles comprem. O consumidor, segundo essa lenda, está simplesmente indefeso diante da “alta pressão” da publicidade. Se isso fosse verdade, o sucesso ou o fracasso nos negócios dependeriam apenas do modo de fazer a publicidade.

Human Action
, p. 317; p. 321

 

Os truques e artifícios da publicidade estão disponíveis tanto ao vendedor do melhor produto quanto ao do pior. Mas só o primeiro tem a vantagem conferida pela melhor qualidade de seu produto.

Human Action, p. 318; p. 321

 

AÇÃO

07 Fev

Ação humana é comportamento propositado.
Human Action, p. 11

 

A vida humana é uma sequência incessante de ações singulares.
Human Action, p. 45

 

A economia, enquanto ramo da ciência geral que estuda a ação humana, lida com a ação humana, isto é, com a ação propositada do homem no sentido de atingir os objetivos escolhidos, quaisquer que sejam esses objetivos.
Human Action, p. 880; p. 884

 

Ação é uma demonstração de poderes e controles que são limitados. A ação é uma manifestação do homem que está restringido pelos limitados poderes de sua mente, pelas características fisiológicas de seu corpo, pelas vicissitudes de seu meio ambiente e pela escassez de fatores dos quais depende o seu bem estar.
Human Action, p. 70

 

A ação visa a substituir um estado de coisas menos satisfatório por outro mais satisfatório. Chamamos tal alteração induzida voluntariamente de troca.
Human Action, p. 97

 

A maior parte das ações não tem por objetivo derrotar alguém. Aspiram a uma melhoria das condições de vida.
Human Action, p. 116

 

O homem vigoroso que diligentemente se empenha em melhorar suas condições age tanto quanto o homem letárgico que indolentemente aceita as coisas como lhe acontecem. Porque não fazer nada e ser indolente também são ações e também determinam o curso dos eventos.
Human Action, p. 13

 

Fonte: The Quotable Mises. Citações do Human Action retiradas da tradução publicada pelo Instituto Mises Brasil.

 

I. Carl Menger e a Escola Austríaca de Economia

06 Mar

1. Os Princípios

O que é conhecido como a Escola Austríaca de Economia começou em 1871, quando Carl Menger publicou um pequeno volume com o título Grundsätze der Volkswirtschaftslehre.

É comum traçar a influência que o meio social exerceu sobre as conquistas do gênio. As pessoas gostam de atribuir as façanhas de um homem de gênio, pelo menos em certa medida, à atuação do seu meio ambiente e ao clima de opinião da sua época e país. A despeito do que esse método possa alcançar em alguns casos, não há dúvida que ele é inaplicável com respeito àqueles australianos cujos pensamentos, ideias e doutrinas importam para a humanidade. Bernard Bolzano, Gregor Mendel e Sigmund Freud não foram estimulados por seus parentes, professores, colegas e amigos. Seus esforços não encontram a simpatia de seus conterrâneos contemporâneos, nem do governo do seu país. Bolzano e Mendel levaram adiante a sua obra principal num ambiente que, até onde diz respeito os seus campos especiais, poderia ser chamado um deserto intelectual, e eles morreram muito antes das pessoas começarem a adivinhar o valor de suas contribuições. Riram de Freud quando ele tornou pública pela primeira vez as suas doutrinas na Associação Médica de Viena.

Alguém pode dizer que a teoria de subjetivismo e marginalismo que Carl Menger desenvolveu estava no ar. Ela tinha sido prenunciada por vários precursores. Além disso, por volta da mesma época em que Menger escreveu e publicou o seu livro, William Stanley Jevons e Léon Walras também escreveram e publicaram livros que expunham o conceito de utilidade marginal. Contudo, seja lá como for, é certo que nenhum dos seus professores, amigos ou colegas tiveram interesse nos problemas que excitavam Menger. Quando, um pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, eu disse a ele sobre as reuniões informais, mas regulares, nas quais nós, os economistas mais jovens de Vienam costumávamos discutir problemas de teoria econômica, ele observou pensativo: “Quando eu tinha a sua idade, ninguém em Viena se importava com essas coisas”. Até o final da década de 1970 não havia nenhuma “Escola Austríaca”. Havia somente Carl Menger.

Eugen von Böhm-Bawerk e Friedrich von Wieser nunca estudaram com Menger. Eles tinham terminado os seus estudos na Universidade de Viena antes de Menger começar a lecionar como um Privatdozent. O que eles aprenderam de Menger, fizeram-no estudando o Grundsätze. Quando retornaram à Áustria após certo tempo em universidades alemãs, especialmente no seminário de Karl Knies em Heidelberg, e publicaram os seus primeiros livros, eles foram designados para ensinar Economia nas Universidades de Innsbruck e Praga respectivamente. Mui rapidamente alguns jovens que tinham cursado o seminário de Menger, e sido expostos à sua influência pessoal, alargaram o número de autores que contribuíram para a pesquisa econômica. Pessoas do exterior começaram a se referir a esses autores como “os Austríacos”. Mas a designação “Escola Austríaca de Economia” foi usada somente mais tarde, quando seu antagonismo à Escola Germânica Histórica veio à tona após a publicação, em 1883, do segundo livro de Menger, Untersuchungen über die Methode der Sozialwissenschaften und der Politischen Oekonomie insbesondere.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – março/2011