1. Os Princípios
O que é conhecido como a Escola Austríaca de Economia começou em 1871, quando Carl Menger publicou um pequeno volume com o título Grundsätze der Volkswirtschaftslehre.
É comum traçar a influência que o meio social exerceu sobre as conquistas do gênio. As pessoas gostam de atribuir as façanhas de um homem de gênio, pelo menos em certa medida, à atuação do seu meio ambiente e ao clima de opinião da sua época e país. A despeito do que esse método possa alcançar em alguns casos, não há dúvida que ele é inaplicável com respeito àqueles australianos cujos pensamentos, ideias e doutrinas importam para a humanidade. Bernard Bolzano, Gregor Mendel e Sigmund Freud não foram estimulados por seus parentes, professores, colegas e amigos. Seus esforços não encontram a simpatia de seus conterrâneos contemporâneos, nem do governo do seu país. Bolzano e Mendel levaram adiante a sua obra principal num ambiente que, até onde diz respeito os seus campos especiais, poderia ser chamado um deserto intelectual, e eles morreram muito antes das pessoas começarem a adivinhar o valor de suas contribuições. Riram de Freud quando ele tornou pública pela primeira vez as suas doutrinas na Associação Médica de Viena.
Alguém pode dizer que a teoria de subjetivismo e marginalismo que Carl Menger desenvolveu estava no ar. Ela tinha sido prenunciada por vários precursores. Além disso, por volta da mesma época em que Menger escreveu e publicou o seu livro, William Stanley Jevons e Léon Walras também escreveram e publicaram livros que expunham o conceito de utilidade marginal. Contudo, seja lá como for, é certo que nenhum dos seus professores, amigos ou colegas tiveram interesse nos problemas que excitavam Menger. Quando, um pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, eu disse a ele sobre as reuniões informais, mas regulares, nas quais nós, os economistas mais jovens de Vienam costumávamos discutir problemas de teoria econômica, ele observou pensativo: “Quando eu tinha a sua idade, ninguém em Viena se importava com essas coisas”. Até o final da década de 1970 não havia nenhuma “Escola Austríaca”. Havia somente Carl Menger.
Eugen von Böhm-Bawerk e Friedrich von Wieser nunca estudaram com Menger. Eles tinham terminado os seus estudos na Universidade de Viena antes de Menger começar a lecionar como um Privatdozent. O que eles aprenderam de Menger, fizeram-no estudando o Grundsätze. Quando retornaram à Áustria após certo tempo em universidades alemãs, especialmente no seminário de Karl Knies em Heidelberg, e publicaram os seus primeiros livros, eles foram designados para ensinar Economia nas Universidades de Innsbruck e Praga respectivamente. Mui rapidamente alguns jovens que tinham cursado o seminário de Menger, e sido expostos à sua influência pessoal, alargaram o número de autores que contribuíram para a pesquisa econômica. Pessoas do exterior começaram a se referir a esses autores como “os Austríacos”. Mas a designação “Escola Austríaca de Economia” foi usada somente mais tarde, quando seu antagonismo à Escola Germânica Histórica veio à tona após a publicação, em 1883, do segundo livro de Menger, Untersuchungen über die Methode der Sozialwissenschaften und der Politischen Oekonomie insbesondere.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – março/2011